domingo, 3 de agosto de 2008

A chuva me molha enquanto caminho sozinha, e não caminho em direcção alguma, apenas ando por ai, fico fingindo que sou alguém indo para algum lugar,alguém que alguém espera, mas não, o bom é andar na chuva,com o choro do céu tocando meus lábios, meu rosto, e fico molhada,é bom sentir o corpo tremendo de frio, o dente batendo, é bom sentir o cheiro da grama molhada dos parques, é bom ver que não tem nenhum noia e a calçada não esta cheia, e é triste me ver sem rumo, as vezes encontro alguém que me para pra me perguntar pra onde eu vou e como estou, eu minto claro, falo que vou pra casa de alguém e que estou otima ...é o bom de andar na chuva é que ninguém acha que você esta chorando e sim que tem agua na sua cara, é bom sentir seu pé cansado de andar,é bom meu cabelo molhado,é bom sentir que a chuva toca meu corpo, as vezes me sinto mais viva por isso, me sinto mais real, chego em casa e a casa esta vazia,esta otimo, tomo algum remédio pra não ficar doente, mas se eu ficar doente, não ligo,é mais uma coisa que me faz sentir estar viva, é mais um modo de ver o quanto eu sou de verdade,e de certa forma isso já me torna um pouco feliz...um pouco feliz.Acho graça, nas flores molhadas do jardim de inverno, dou risada com os cachorros brincando, e fico observando os cantos desconhecidos da minha mente, invento algum dialogo na cabeça,invento algum texto, e transporto tudo pra algum papel que já devo ter perdido, mas a memoria continua gravando,regravando, quando minha imaginação esgota, eu começo a rever minha memoria, coisas boas e triste que passei,ruins e boas,muitas vezes minha companhia é a mais essencial de todas, eu sozinha é muito melhor, não sendo egoísta,me sinto bela, quando não tem ninguém pra julgar, me sinto normal quando não tem ninguém pra me dizer que sou esquisita,me sinto, o que pra mim sentir é aparentemente raro,mas me sinto...sou de verdade, sou real,e sozinha não me sinto mais um numero, não me sinto alguém com nome sobrenome,data de nascimento, sexo nem nada, me sinto um objecto que ocupa lugar e espaço,e é isso que me consola, não desejo que as pessoas sintam minha falta, desejo sentir falta de mim mesma,talvez, acho que a chuva sentiria uma falta tremenda de mim,acho que sou a única pessoa que gosta de sentir o frio na pele, o rosto e o corpo molhado,sou a única que gosta de caminhar até sentir muita dor,a única que anda sem rumo,é eu sou única, e eu sei o quanto é cliché, mas eu sou diferente,não quero viver como todos vivem, mas as vezes sou obrigada,obrigada a me encaixar na sociedade tão chata em que vivemos,não preciso de tanto pra ser feliz, só preciso do pouco, e para os outros é pouco e tanto faz, ninguém é obrigado a saber do que gosto e odeio,é só uma questão de querer entrar dentro do meu mundo, mas a questão alheia não é questão nenhuma,entende?,não.Não fazem questão de estar no meu mundo, então logo não ligo, não sinto necessidade, ou talvez, as vezes, eu sinta falta de alguém que sabe de tudo que eu gosto,e de tudo que odeio, as vezes , eu gostaria que alguém alem da chuva ouvisse meus pensamentos e quisesse entrar no meu mundo,talvez frio,mas cheio de loucuras,mas quando entram,é só por curiosidade,e logo saem,e agora me cansei de entrarem e sair do meu mundo,agora 'meu mundo ta fechado pra visitações' a menos que queira entrar e jamais sair...o que pode ser até impossível,quem sabe algo alem da chuva, entre no meu mundo e nunca mais vá embora...é a chuva soube como me conquistar,pra sempre, porque eu sei que sempre,existe,sempre é eterno até minha morte...

Um comentário:

Duxxs disse...

Hááá...simplismente adoro ler textos assim. Voce concerteza é uma pessoa muito minimalista, que consegue ter conforto nas coisas simples do dia-a-dia...no seu caso atraves das gotas da chuva =]

Bjos iza