terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Acordei de um sonho.

A tempos tenho o intenso desejo de viver em comunidade 'hippie' ou 'sustentável' ou 'ecologicamente correta' ou como alguns preferem chamar 'ecovila'. E descobri que um monte de gente sonha com isso também, achei um máximo, se todo mundo juntasse e blablalamimimimimim no mato.

Claro que perguntei a Deus todo poderoso "GOOGLE" sobre as ecovilas e sobre o trabalho de permacultura, fiz mil pesquisas, sei um montão de coisas porque eu li. Legal parabéns pra mim, procurei no Google.
Ao andar um bocadinho por ali e por aqui, vi também uma galera que colocou o Google na prática, show de bola, me apaixonei de cara por essas pessoas maravilhosas.

A tempos venho de forma intensa proporcionar mudanças diárias na minha vida, seja meu inciclo, ou minhas plantas regadas a menstruação (lidem com isso amigos). Separando o lixo ali e acolá, comprando orgânicos e produtos de origem artesanal, transformando meu marido comedor de carne em uma pessoa cada dia um pouco livre de morte animal, meditando, praticando yoga...(as vezes). Vendo as melhores perspectivas de se construir um minhocário adaptável ao meu apertamento.
Me descobri uma verdadeira hipócrita, porque sou uma consumista 2.0, adoro entrar numa loja de roupas que vem de trabalho escravo e compro muita tecnologia ultima geração chingling também através de trabalho escravo, e digo mais, não sei como me desapegar disso, com esse pensamento descobri que além de hipócrita sou egoísta também. Ou seja, como vou viver em uma COMUNIDADE, ainda mais SUSTENTÁVEL? Eu nem sei andar de bicicleta.

Com essas e tantas outras questões (ainda mais interiores e profundas), listei uma série de defeitos meus que nunca falaria em uma entrevista de emprego. Foi demais, nunca consegui ver tanto defeito, nunca consegui ser TÃO honesta comigo mesma, até que não tá tão desgraçado descobrir os defeitos com 22 anos é cedo né? Ao menos tenho tempo de muda-los. O sonho ainda não desaba em minha mente, não me falta coragem, mãos e energia para prosperar em busca deste sonho bobo.

No fim, desse sonho louco eu despertei, que mais do que uma casa construída, preciso criar uma morada dentro de mim mesma. Seguindo de forma fiel um caminho de auto conhecimento, no qual nenhum curso, retiro ou vivencia poderão me dar, a não ser a vivencia de ser eu, um ser com um bocado de problemas,defeitos e falhas espirituais e carnais.

Viver em comunidade é além de umas minhocas e uma casa de pau a pique, além de aprender a plantar, regar e colher, viver em comunidade é ter também a consciência de viver em si, a par de como andam suas sementes, como as rega, e qual a qualidade que as colhe, é tijolo sob tijolo que são construídos manualmente um a um, questões por questões. Já não me vale mais a pergunta de onde vim e pra onde eu vou, se eu tiver a morada em mim, eu ficarei onde eu estiver.